Terça-feira, Maio 26, 2009


Finalzinho do dia, quando o dia beija a noite, adoro esse horário. E vem a noite e com ela a ansiedade de sentir algo novo. A chuva lá fora não para, em algum lugar alguém está nascendo, outro perdendo forças, e eu aqui apaixonada por tanta água caindo do céu. Submergir por tanta água, e lembrar aquela casa, daquela velha sentada na varanda contando os dias pro domingo chegar, lembrando do seu falecido companheiro. Da menina das fotografias e seu sorriso indeciso e seu cabelo rabo de cavalo, com seu top preferido. Alguém renuncia seu amor pelo amor de algo mais dado, mais esclarecido, palpável. A chuva vem com tanta história, pra juntar, pra separar. O dia lembra a madrugada, a chuva para e acinzenta nossos sonhos. A paisagem na estrada, contando o tempo pra chegar, sonolentos, esperançosos, a temporada de chuva tem que passar!! Eles falam do cansaço, da saudade, do amor implacável pelo querer sempre mais, e ela se esconde da chuva com os olhos úmidos, e ele sangra no chuveiro com os braços cortados. A chuva continua nos alertando, nos movendo, pra juntar, pra separar. Eu estou me apaixonando, e sinto-me mais acessível. Cego-me das malícias e negações. Eu tenho os olhos lavados e agora é tempo de despertar.

1 comentários:

Iza disse...

como pode palavras descreverem tão bem essas sensações.
e por metaforas!!!

perfeito sara.
eu amei mesmo esse.

é um poço pra mim.
um poço cheio de sensações.

não sei se é esperança ou angustia.

beijo