
Renascendo todo dia. Um dia de cada vez, um dia de cada vez, ele pensara. Queria poder compartilhar mais vezes daquela alegria, vendo os olhos de sua criança. Parar o tempo quando seus olhinhos fechavam, ele assistia, sentia-se capaz de qualquer coisa, recarregado, insuperável. Queria poder dá-lhe todos os passarinhos que ela seguia, um castelo de cores, um mundo colorido e distante. Tê-la sempre nos braços, seguindo seus passos, ele nunca teve tanta certeza. Era triste ter tudo aquilo e sentir o tempo passar. "Essa felicidade vai passar?", recusava a acreditar, fechava-se a isso. Podia viver várias vidas com ela, com seus lápis de cores, seu choro explosivo, seu rostinho raivoso, seu sorriso milagroso. Viver ensinando pra sempre as mesmas palavras, cantando as mesmas canções, dormindo no chão, o chão nunca foi tão macio. Ela ensinava, ele aprendia cheio de esperança, e pensava: "um dia de cada vez princesa, um dia de cada vez". Ele tinha um motivo pra voltar, o motivo de continuar, e logo ali, onde o tempo arrancaria seu mundinho de canções de ninar, e seu coraçãozinho desenhado na geladeira, não saberia como retornar. Mas agora ele repetia: "um dia de cada vez gatinha, minha princesa".

1 comentários:
me arrepiei. tão lacrimoso. =~
é o amor incondicional somado a um instinto humano, belissimo.
adoro ler vc.
beijo gateenha
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