Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Eu tinha um amigo chamado João. João era um bom amigo sempre começara pra eu terminar. Eu achava que ele fazia isso pra eu não me machucar primeiro, talvez fosse isso mesmo. Nunca desconfiaria de João. Ele sempre me escutava, e corríamos pra uma aventura vespertina, e a noite chegava pra nos punir. O pior horário porque tínhamos que voltar pra casa. João um dia me disse: "pra sempre amigos", e fizemos um pacto de sangue. Eu fiz careta, mas João sorriu com calma nos olhos. Eu me importei apenas em lavar minha mão, improvisar um curativo e correr pra jantar. Imagino que João comeu com pressa, e foi direto pra cama, certo que no dia seguinte teria desafios mais intensos. Imagino também que ele não lavou as mãos, muito menos fez curativo. Quando nos desentendíamos, João passava o dia se aventurando sozinho, eu ficava chorando em casa, então sentíamos nossa falta, e no momento que ia até ele, ele vinha. Como bons amigos, sabíamos o tempo do outro. João crescera mais rápido, e as nossas aventuras começavam a ser bobas demais. Então nos afastamos, e com uma sensação de perda dava tudo de mim Mas ele tinha o mundo nele, e eu tinha meu mundo João. Com esforço e aflição, sentimos que era forçado e até disfarçado nossa animação. João cresceu mais rápido, e viu as opções de aventuras. Um dia chorando na minha cama lembrei as palavras dele: "pra sempre amigos", e pensei que não devia ter tirado sarro, devia ter me portado como João, como um bom amigo. Depois de muito tempo, nos encontrávamos na rua, e João acenava com simpatia, como um forasteiro. João era destemido, de pouca ambição, desejava a vida, ele enfeitara de forma bonita e verdadeira. Eu sabia que ele me faria feliz. João não tinha tempo pra defeitos, ele fora honesto e no seu tempo ele teve paciência pra alimentar suas vontades, sem muita pretensão. O que eu não sabia é que sempre seria assim e não havia nada que eu pudesse fazer, meus olhos começavam a realmente ver, e meu coração sentir sem pressa e sem medo. Fui parando de ter medo de perder e começando a ver que a perda é inevitável, e a perda é que faz as coisas sagradas e vivas, e nada foi feito para ser idolatrado e temido. Tive sim aquela felicidade que um dia me fez correr pra alcançá-la, e ela realmente era possível, é possível.

3 comentários:

Iza disse...

"prometer algo que faria durar sua felicidade. "

o cotidiano deixa as pessoas intimas demais. não é? tão intimos que nos abandonamos ali, no cotidiano.
é dificil encontrar amigos que nos acompanhem o tempo todo. esse papo de amigos para sempre é feito para as lembranças que guardamos.
agt se torna outro o tempo todo.

lindo mesmo assim. lindo mesmo.

beijo

_Thiago disse...

Eu acho que essa situação não poderia ter sido escrita de outra forma. A fragilidade das promessas do 'pra sempre', o esforço para mantê-la, a leveza para esquecê-la. É algo que carregamos conosco, que traz arrependimento, que "as vezes parece bobagem. Gostei muito (:
Boa semana!

dayse disse...

mesmo assim as boas lembranças ficam pra sempre...

vc eh pra sempre sara na minha vida... tem coisas que sentimos que nem sabemos como colocar pra fora, so sabemos sentir... é parar um segundo na rotina do dia-a-dia e pensar em alguem e ja abrir um sorriso e agradecer por viver aquilo... é assim mesmo quando eu penso que voce existe de verdade...

amo demais!