
E lembro da velha desiludida me dizendo: "coma pelas beiradas que é mais frio". E a velha tinha razão. Moro no mais alto castelo, eles não acreditariam se eu contasse que escalei e contornei todos os tijolos, com minhas próprias mãos, desgastadas e envelhecidas. Refugiei-me no jardim das lembranças, cavei fundo e joguei toda a dor pra nascer a rosa mais espinhosa e linda possível. Dei-lhe seu nome, que nunca mais fora pronunciado, para não ser despertado, que descanse em paz. Ele sempre me viu outra pessoa, desiludida e dissimulada, me deu qualidades que não queria ter, me olhara como um espelho, fraca e penosa. Mas eu tenho esse amor, então rasguei o véu e caminhei sozinha, longe das chamas, das coisinhas, dos rostos invisíveis, dos corações selvagens, e toda aquela adulação ensaiada. Hoje me encontro sozinha, e quando quero companhia viajo até a cidade mais próxima e me afogo em braços fáceis e me deleito. Os presenteio uma das minhas rosas mais espinhosa e lhes digo: "que descanse em paz", e me refiz razão, como ela temia.

1 comentários:
A maldita!
parece título de filme de terror.
kkkkkkkkkkkk
lindo Sara, tirando a parte de maldita que me fez rir!
kkkkkkkkkkkkk
na verdade sarinha, é como o lobo mal falava...
não se dê o trabalho de esconder o que tem dentro do seu coração...
ninguém vai ver mesmo.
nem se vc o expulsesse em outdoor.
as pessoas iam confundir com propaganda de cerveja.
a mulher BOA com um copo na mão.
quando na verdade
é a mulher boa nas mãos de um corpo.
:)
beijo oti mamain
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