Segunda-feira, Maio 30, 2011

Ela tentara treinar seu coração, endurecê-lo, e jogar-se ao esquecimento, tratar as coisas com menos intensidade. Estava cansada. Sim, há muito tempo sentia que a direção de tudo iria jogá-la novamente naquela vala escura. Amedrontada, percorria um longo caminho dentro de si, tentando achar um recomeço, qualquer que fosse. Desconfiada demais reagia com olhar alheio, e colocações polêmicas, apontando pra si toda frustração, a covardia estampada na face dissimulada. Desconectar-se daquele torpor parecia impossível. Quem ela poderia ser? Afinal, há muito tempo não era mais ela, não era mais ninguém, à deriva fitando um céu furioso. E sendo o fantasma que se convencia ser, travara uma grande guerra em sua cabeça. Então ela pensara nele, desejava com todo coração ser alcançada e dividida. Achara que talvez ele pudesse carregá-la um pouco, tirá-la daquele campo-minado e suavizar seu coração inquieto, queria seu céu de estrelas. Porém, sabia que toda relação humana não passara de um grande espetáculo, de um desequilíbrio constante e de medo, e a pureza que tanto procurara só acharia nos momentos em que um milagroso silêncio preenchia seu sono manso, ou aquele sonho onde uma criança correria para seus braços e amaria todos seus pedaços incondicionalmente. E se via tão egoísta, tão mesquinha e boba. Como poderia respirar se tudo a sua volta parecia está ali para esquivá-la de sua própria natureza? De seu desespero interminável. Quem são aqueles estranhos que a diziam amar tão intimamente? Quem são eles? Seria ela feita pra ser sempre devota de todos? Porque havia momentos que seu peito parecia uma bomba e dificilmente havia ar suficiente, e as pessoas pareciam folhas no outono acalmando sua passagem, de longe, muito longe, sentia-se carregá-las nos braços, aninhando folha por folha num desejo implacável de tê-los nessa distância segura. Tudo se tornara demais, sufocadamente excessivo e a bomba instalada em sua cabeça poderia ser seu significado para o amor, e queria chorar, ao menos sentir-se vítima.

1 comentários:

Igor Von Richthofen disse...

As linhas que acabei de ler podem revelar fraqueza pros mais óbvios mas pra mim mostram uma força constante que as vezes cansa de ir na contramão. É complicado falar sobre as sensações alheias mas o que complica mais é que ninguém nem lembra mais que o cara do lado existe imagine o que ele estão pensando ou sentindo. É cruel mas é fato! e talvez seja melhor assim mesmo, mas nuca vi tanta banalidade como as que existem nas relações atuais sejam elas em uma noite ou durante uma década. Somos produto e cabe a cada escolher ser vítima ou algoz. Eu sei lá se entendi e nem vou te definir por um texto Sara, mas esse foi um dos que mais gostei e seja la quem porra você for eu acho você uma pessoa massa e espero que não deixe que o que está em volta te consuma ou que deixe quando isso for te fazer bem hehehee
porra...eu não entendi bem o que eu quis dizer mas ta ai hehee