
"Eu vejo um riso amordaçado, morto. Unhas cerradas, olhos perdidos. Vejo uma lágrima sorteada, uma voz escurecida. De tempo em tempo você cai, você rasga, você retorna. Usando a ponta do dedo você sublinha o céu, construindo asas em sonhos, sobrevoando cadáveres incediados, respirando milhas e milhas de concreto. Chove seringas dos corpos estendidos na linha de frente, moradias enraizadas e amaldiçoadas pelo que sustenta seu chão. Sombras infectadas me acompanham, eu o vejo pincelando cores fortes, olhos estufados, vermes famintos contruindo sua forteleza. A sensação claustrofóbica do sangue pulsando nas veias, gritos de um anjo sodomizado, folhas deslizando a pele, trincando os dentes em orações. Respirando baforadas de satisfação, o demônio criando espaços abertos, dando terras vazias. Alucinações lúcidas, insanidade sadia, corpos nus sugando todas as razões, todos os significados. Decifrados e abusados, eu vejo redenção em todos os sacrifícios."

1 comentários:
Muito doido sara, muito bom mesmo, parabéns... quer dizer que além de gostosa vc eh poetiza abstrata?! heheheh
=*
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