Terça-feira, Abril 26, 2011

Existia amor, certamente, e por isso não havia porque nos separar pela proximidade. Pois haveríamos que arcar com as mentiras e exageros, e tínhamos medo. E ele sabia que estava condenada bem antes de conhecê-lo, pois minha velha insegurança continuara a vagar por aí, às escondidas. Quando não estou ao seu lado, estou desencantada, porém envaidecida, e ouço as batidas das mãos frenéticas me chamando. Às vezes são ruídos ao pé do ouvido enquanto durmo. Um coro de anjos de pele quente. São os meus condenados, suplicando amor feroz, silencioso. E o maldito ao lado da mesa, com seus olhos vermelhos, sua boca armada, apontando pro nada. Aí está! O que meu coração não deseja, mas meu corpo embala sem medo. São deles, meus deuses de corpo cansado, cheios de fantasias, animais famintos a espreita, especulando a melhor refeição, enquanto engana o estômago, acreditando que tudo será abundante e encantador, a espera, somando, somando. Suplicando que dure.

0 comentários: