segunda-feira, abril 26, 2010

"Primeiro, ache alguns amigos para dizer: 'Você está indo bem
Após todo este tempo vocês continuam os mesmos'
Segundo, é o happy hour em um dos dois hotéis
Prepare-se para o jogo: "Você se lembra disso?"
Terceiro, nunca diga o nome dela

Mas Ah! Quem precisa dessa merda sentimental, de qualquer maneira
É preciso mais do que apenas recordações para me fazer chorar
Estou feliz só por sentar numa mesa com os velhos amigos
E ver que um de nós pode contar as maiores mentiras"

(Don Walker}

segunda-feira, abril 05, 2010

Existia Pedro, e os fantasmas. E fulano gritara: "Está ferrado?! Chama Pedro, ele resolve". E tinha as doses, não poderia esquecer seu corpo padecendo, a música alta e a boca seca, aberta. Havia o quarto. A fileira de ação, suspense, drama e o terror na cama vazia no canto do quarto. Terços em pregos na parede, onde sua falecida mãe relutava em orações a suspeita de mais um perdido, mais um esquecido. Remédios e um copo d'água ao lado da cama, roupas em cadeiras, fotos amareladas, algumas datadas, outras de tempos que nunca chegaria a recordar (não ousaria), amareladas e borradas, dando contraste a uma tristeza absoluta, quase palpável. E fora dali existiam os outros, os desfocados, contracenando uma nova cena no inferno, desafiando a sorte em abraços às cegas. E então existia Pedro, quieto como um fantasma, como um santo, na mesma velha mesa, na entrada da velha casa, retocando o passado... Esperando, esperando, esperando, esperando, esperando.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Canto você para mim.

Ondas suaves batem seu corpo semimorto. "Só mais um pouco de atenção", ela se queixa. Talvez a tentativa a traga de volta e tenha a sorte de uma amnésia. Se não houver volta, que suavize as olheiras, o coração pesado, um rosto abatido, e dê um contraste significativo, em qualquer história de amor. No choro suave da saudade, pede que se faça um mundo menor. E você irá repetir o tempo todo, e não vai se cansar de tentar achar o quanto suave havia de ser, e só poderia ser você. Porque nosso lado é muito distante desse aqui de agora, mas ela sabia que era você o tempo todo.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Terremoto na Paraíba (piada que não sei a autoria)

Depois dos terremotos ocorridos na Ásia, o Governo Brasileiro resolveu instalar um sistema de medição e controle de abalos sísmicos, que cobre todo o país.
O então recém-criado Centro Sísmico Nacional, poucos dias após entrar em funcionamento, já detectou que haveria um grande terremoto no nordeste do país. Assim, enviou um telegrama à delegacia de polícia de uma cidadezinha no interior do Estado da Paraíba Dizia a mensagem:

'Urgente. Possível movimento sísmico na zona, Muito perigoso. Richter 7. Epicentro a 3 Km da cidade. Tomem medidas e informem resultados com urgência'.

Somente uma semana depois o Centro Sísmico recebeu um telegrama que dizia:

'Aqui é da Polícia de Icó.Movimento sísmico totalmente desarticulado. Richter tentou se evadir, mas foi abatido a tiros. Desativamos as zonas. Todas as putas estão presas. Epicentro, Epifânio, Epicleison e os outros cinco irmãos estão detidos.
Não respondemos antes porque houve um terremoto da porra aqui!'

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Porque estou sempre de mãos atadas, como quando reacendo os bons tempos. Minha descrença não passa da porta. E isso é tudo que sou, e nunca é pouco. Porque estou sim, sempre de mãos atadas. E quando atravesso um dia inteiro desacordada, não sobra muitas vontades, mas sobra faltas. O essencial nunca está perto, e isso não é um segredo.

segunda-feira, novembro 16, 2009

“que venha o mais vazio e me encarrego de entrar”, divaga ela. Movimentada pela saudade, queria sentir a água molhar suas roupas, prender a respiração no fundo, imaginar sendo feita d'água. Paralisada, escutando as vozes abafadas, os risos dando um contraste à sua vida. Mas quando abriu os olhos estava no ponto final, nas profundezas da cidade, encharcada.

terça-feira, outubro 27, 2009

Somos todos filhos do mesmo amor, assistimos a mesma loucura.

Ele vai usar as mesmas mentiras pra se livrar, porque ele acredita que não mereça tanta afeição. Confrontando pra negar, ele fecha-se a tentativa de silenciar e viver da melhor forma possível, porque é possível, mas seria fácil demais.

Santuário da loucura, bilhetes nas paredes dizendo por onde começar, que portas abrir, que portas fechar. Sua velha juntando tudo que não havia mais como reparar, "danos demais", ela disse.

Da forma mais patética perguntando por aí seus desejos, e anotando opções de sonhos, patético!


Ela sabe como usar as palavras, ela é muito segura de si, porque quanto mais ela tem, menos ela dá, e menos ela é, e será.

Ele não vai retornar a ligação, ela não vai te amar mais do que aquelas ensaiadas palavras.

"É tanta vida em mim que parece que vou explodir", e ela chora, porque sofre, e sofre porque entende. Tenta da sua melhor forma carregar tanta vida, PORQUE A ESTRELA SÓ SE REVELA MORTA, e deu sua outra face, e o fogo alimentou-se de suas mãos, e diz ter morrido várias vezes, mas não morreu.

E eles sofrem PORQUE A ESTRELA SÓ SE REVELA MORTA.

E Narciso nunca se perdoou, porque a distância se tornou longa demais.

sábado, outubro 03, 2009

Eu tenho três corações. Lembro tristemente que poderia ter feito o castelo maior, subido mais alto. Tive o amor seguido de palavras desajeitadas. Imagino o passado e desejo tê-lo em mim, como uma sombra. Acreditar nele, apesar de me assegurar a uma distância segura.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Do curta: O velho, o mar e o lago.



"Um monge me dizia: Ó mocidade, és relâmpago ao pé da eternidade! Pensa: o tempo anda sempre e não repousa.Esta vida não vale grande cousa: - uma mulher que chora, um berço a um canto,o riso às vezes, quase sempre o pranto... Quatro círios acesos, eis a vida! Isto me disse o monge e eu continuei a ver dentro da própria morte, o encanto de morrer. Um sábio me dizia: Esta existência não vale a angústia de viver. A ciência, se fôssemos eternos, num transporte de desespero, inventaria a morte! Uma célula orgânica aparece no infinito do tempo: e vibra, e cresce, e se desdobra, e estala num segundo... Homem, eis o que somos neste mundo! Falou-me assim o sábio e eu comecei a ver,dentro da própria morte, o encanto de morrer. Uma mulher me disse: - Vem comigo! Fecha os olhos e sonha, meu amigo! Sonha um lar, uma doce companheira, que queiras muito e que também te queira... Um telhado... Um penacho de fumaça... Cortinas muito brancas na vidraça... Um canário que canta na gaiola... - Que linda a vida lá por dentro rola! Pela primeira vez, eu comecei a ver, dentro da própria vida o encanto de viver!".


"...E eu sou o nada. De vez em quando dá uma vontade de morrer. E me falta coragem pra morrer. Há muito tempo eu não creio mais. Nem em mim, nem no demônio, nem em Deus. Eu sou um espantalho. E Deus é o diabo. E meu diabo sou eu. E eu quero gritar. Eu quero gritar.Eu quero gritar!".


"Sonhamos. Quando, um dia, eu for velhinho, Hei de encontrar-te, velha no caminho... E juntos, cambaleando, aos solavancos, Nós levaremos, pela tarde calma, Todo uma primavera dentro da alma, Todo um inverno de cabelos brancos...".

Guilherme de Almeida.

sábado, agosto 15, 2009

domingo, julho 26, 2009


Embriagava-se e sua cabeça pendia pra baixo, seus olhos temiam serem descobertos, e sua voz baixa relutava em anunciar sua devastação. Seu peito apertava e suas mãos suavam. "Por que me desafiam?", pensara. "Por que me desafiam?!", gritara.

terça-feira, julho 21, 2009

Diário do ócio.

Escuto a mesma música a tarde inteira, o cinzeiro entrega minha ansiedade e só me resta rastejar até a cama. Então desejo a estrada, o coração mais fácil e o lance mais barato. E deitada tenho saudade. O céu provoca acinzentado, não tenho fome, não tenho sono, o telefone não toca, a chuva ameaça cair forte. A cena não acaba. EU penso nele, ele pensa em mim. Eu vou até minha cama arrumar o estrago da noite passada, e meu coração aperta e não sei como parar. Posso tentar, mas não acredito. O fósforo acaba e o céu escurece. Cato fósforos embaixo do fogão encardido, olho a geladeira, vou até a varanda ver se o vento parou apenas no quarto. Em vez de ler prefiro olhar o canto sujo da porta do banheiro, e noto que o papel acabou, o shampoo também. No chuveiro pulo, pulo e pulo, a água fria me desperta. A inquietação de que logo algo acontecerá não me deixa dormir, eu ando, eu paro, eu vou até a janela, vejo uma senhora pegar uma toalha na varanda da casa da frente, ela me nota. Ligo o som e lavo os pratos. Sigo aflita. Eu ligo, dá desligado, eu ligo, dá desligado, eu ligo, dá desligado, ligo só mais uma vez e paro.

segunda-feira, junho 29, 2009

Ela chora na sala os abraçando, diz amá-los, eles acreditam. Ele fode no quarto com violência, ela tenta fazer com mais ternura. "Um pouco de atenção", ele divaga deitado imaginando a próxima impressão, e seu corpo esguio já mostra sinais de cansaço. A tosse exagerada causa espanto. Observa a verdade nos quartos compartilhados, um ode à lambança! Discutem o amor, não chegam a conclusão alguma.

segunda-feira, abril 20, 2009

A vida, esperando pra ser suprida. Absurdo é negar o caos de todos os dias, o silêncio gritante pedindo mais uma vez, mais uma vez!!

domingo, abril 19, 2009


Ela vai te partir o coração, deixá-lo em pedacinhos tão pequenos que tu nunca há de juntá-los, e mesmo eu te dizendo isso você vai ceder aos braços dela. Ah meu amigo!! Isso é tão inevitável que seria injusto fazer-te culpado.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009


Sentia-se tão acessível que poderia assistir sua própria desgraça e não reagir. Juntar todos os pedaços e construir algo, o que quer que fosse. Ela trava uma batalha sem fim, com olhos baixos ela fita o horizonte em segredo, pronta pra se mandar. Seus melhores dias estão por vir, ela não imagina. Cansada da disputa, ela quase sempre cede. Trabalhou o coração há muito tempo, e controlou a respiração. Deixou-se levar por tudo que deixara há muito tempo de acreditar. Ela estava pronta, ela queria sentir tudo pela primeira vez, queria de todo coração.
(Fotografia de Nan Goldin)

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Eu sou como a noite. "O que basta pra vocês?", perguntei. Eles riram. Sou viva como a noite. O tempo dos outros me faz perder tempo, me entristece, me desalinha. Deus é a luz na casa dos sonhos. Deus é o barqueiro enviando cartões de boas vindas pro inferno.

quinta-feira, outubro 30, 2008


Um sopro de longe. Seu passado foi paixão e um sono profundo, lugares impossíveis de respirar. Paciência, eram vários ritmos diferentes, várias formas de sentir, de agir. O dia nascera escuro. Um trago pra espantar a ansiedade, água gelada pra despertar o corpo cansado, o poeta sentado na janela olhando a chuva cair. "Um coração pra dividir", ele divaga, "e uma canção para repetir várias vezes pra animar a mente fechada". Ela no topo mais alto da montanha, ela da pedra mais alta, ela no chão desenhando um nome, ela flertando a linha do horizonte, em segredo. Sem forçar, construindo o laço de confiança e respeito. Ela com ela, ela com eles. Sussurrando com pudor um dia perfeito, ocupando espaço, ocupando a cabeça. Contagem regressiva, ela veste a fantasia. O veneno está em todo lugar.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Eu vejo um riso amordaçado, morto. Unhas cerradas, olhos perdidos. Vejo uma lágrima sorteada, uma voz escurecida. De tempo em tempo você cai, você rasga, você retorna. Usando a ponta do dedo você sublinha o céu, construindo asas em sonhos, sobrevoando cadáveres incediados, respirando milhas e milhas de concreto. Chove seringas dos corpos estendidos na linha de frente, moradias enraizadas e amaldiçoadas pelo que sustenta seu chão. Sombras infectadas me acompanham, eu o vejo pincelando cores fortes, olhos estufados, vermes famintos contruindo sua forteleza. A sensação claustrofóbica do sangue pulsando nas veias, gritos de um anjo sodomizado, folhas deslizando a pele, trincando os dentes em orações. Respirando baforadas de satisfação, o demônio criando espaços abertos, dando terras vazias. Alucinações lúcidas, insanidade sadia, corpos nus sugando todas as razões, todos os significados. Decifrados e abusados, eu vejo o divino em todo lugar.